• Juliana Rocha

Serra da Canastra - Parte 1


Foram dois meses de planejamento, rotas e mapas, preparação, revisão mecânica da viatura, listas e listas de mercado, listas do que levar, onde ficar, onde comer, o que fazer, ingressos, passeios para todos os gostos e tipos, e partiu, Canastra!!!

Nesta primeira vez que fui pra Serra da Canastra, em novembro/2015, fui sozinha, com a cara e a coragem. Primeiro porque ninguém quis me acompanhar, mesmo sendo apenas um final de semana, segundo porque a viagem é longa (580 km), um pouco cansativa pra quem não está acostumado e cara, sim é cara, já que se roda por lá + ida e volta, nada mais nada menos que 1500km. Gastei por volta de R$ 2000,00 reais com alimentação, hospedagem, combustível dos passeios, ingressos, combustível e pedágio de ida e volta, além lógico das guloseimas como o queijo canastra e o doce de leite caseiro. Nota: O litro da gasolina custa R$ 4,00 reais!!!! Na época, a gasolina em SP custava no máximo R$ 3,20, então quatro reais era um tiro no pé, ou no bolso, como preferirem. Nesta primeira vez, em novembro/2015, compareci no I Encontro Nacional de TR4 Brasil, com 90 carros inscritos no evento, lotando todos os hotéis da pequena cidade de São Roque de Minas para o final de semana do dia 06 a 08 de novembro de 2015. O passeio oficial ocorreria no dia 07, sabadão, mas o ideal era chegar um dia antes, reconhecer o terreno e ficar familiarizada com tudo, antes de ir encontrar 200 pessoas em 90 carros, que eu só conhecia apenas 1 deles, o organizador, e mesmo assim somente pelo Facebook. Fiquei no hotel mais barato que encontrei, e diga-se de passagem, não posso reclamar do mesmo já que realmente foi barato. Hotel Fazenda (não fiquem lá, não recomendo, à não ser pelo café da manhã, o melhor de todos), a diária custou R$ 80,00/pessoa com café da manhã. Estavam inclusos também TV (que só pegava a porcaria da Globo), frigobar (foi ótimo pra guardar as bebidas geladas naquele calor de 40 graus e os queijos canastra), internet e estacionamento fechado (o portão tínhamos de abrir e fechar e o bicho era pesado demais afff). Tirando os pontos negativos, o hotel é construído numa antiga fazenda de café e a casa sede é o casarão antigo. A cozinha fica no porão, onde antigamente era a senzala. A energia da cozinha não é muito boa, mas entrei, só de curiosa e realmente é bem pesada a energia lá. O chuveiro era um ponto forte, uma ótima ducha gelada naquele calorão, rendeu 4 banhos gelados dentro de 3 horas na tarde de sexta-feira.

No fundo do hotel, um pasto cortado pelo Rio do Peixe (me pareceu poluído), cavalos e algumas vacas, para ordenha. O café-da-manhã era rico em produtos produzidos ali mesmo, como frutas, pão de queijo, pães diversos, rosquinhas doces, bolos e geléias, o leite era tirado às 5:30h da manhã pelo retireiro e pude acompanhar numa bela manhã gelada (e cheia de mosquitos). Enquanto o retireiro ordenha a vaca, uma turminha de saguis-de-tufo-branco brinca no curral, pulando de um lado pro outro enquanto vocalizam. O clima de fazenda tranquila, sem agitação do centro da cidade, muda de figura com o cair da noite. Se o hóspede esquecer a janela do quarto, do banheiro ou a porta do quarto abertas, todos os insetos do país entrarão ali! Sim! Estava eu dormindo na noite de sexta pra sábado quando de repente parecia uma metralhadora na porta! pá pá pá pá pá pá pá! Fiquei assustada, afinal só tinha eu e mais um casal no hotel. Abri a porta devagarzinho e CINCO besouros invadiram meu quarto.... Tudo bem, até aí seria fácil de tirar, se não fosse pelos outros CEM que voavam em volta da luz da varanda e mais uns TREZENTOS caídos no chão, deixando o chão de terra batida totalmente preto de tanto bicho junto! Fechei a porta correndo e tratei de tirar os cinco que entraram. Além deles, uma baratinha do mato entrou junto pelo rodapé da porta e mais uma dúzia de borboletas de todos os tamanhos. A Baratinha eu matei :P, os besouros, peguei com guardanapo e mandei embora pela janela do banheiro. As borboletas ficaram lá durante toda minha estadia. Para completar o "terror", os quartos são de madeira, então todas as frestas tinham bichos desconhecidos por mim, que teimavam em voar e correr pelo quarto..... Na manhã do dia seguinte, os besouros todos mortos no chão da varanda e quem fazia a festa desta vez eram os passarinhos! Comida à vontade!!! Em poucos minutos, não se via mais besouros,e a moça da cozinha chegava para preparar a mesa do café da manhã.

O dia do encontro, sábado, todos se reuniram no único posto de combustível da cidade, lá estavam cerca de 90 pajeros tr4, de pessoas de todos os cantos do país! São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Mato Grosso! Foi bem legal! Porém, notei que já haviam grupinhos formados e imagine, você lá, sozinho, sem conhecer ninguém, tímido, o que acontece? Continua sozinho! Um anjo me enviou um trio de japoneses, que estacionaram sua TR4 branca próxima da minha e uma delas, não sabia como mexer na câmera fotográfica. Acabamos nos tornando amigos, porém os 90 carros foram divididos em 5 comboios, então, eu era do comboio 1 e eles do 3, nos separamos novamente. Uma pena! Passamos o sábado passeando na Canastra, fomos até a parte alta do Cachoeira Casca D'Anta, a primeira queda do Rio São Francisco! Sim, conheci a nascente também, há 14km da cidade, serra acima! Lá, tomei banho nas águas límpidas e fartas do Velho Chico, como o rio é carinhosamente chamado pelo povo local e de lá, partimos como um verdadeiro "rally dos sertões" para a parte baixa, onde o restaurante nos aguardava. Achei bem desorganizado isso, pois além de correr dentro de um parque onde a velocidade máxima permitida é de 40km/h, não pude ver nenhuma beleza ou construção antiga como o Curral de Pedras ou observar algum animal silvestre. Uma pena! Deixei os "loucos do rally" passarem e fiquei pra trás. Almocei no restaurante Garça Branca (uma comida ruim por sinal, não recomendo!!!) e peguei a estradinha que liga São Roque à Vargem Bonita, para ir conhecer a cidadezinha. Porém, na metade do caminho, um vendaval com raios se formava e eu achei melhor voltar, ainda mais estando em um local que não conhecia e sozinha!

No caminho de volta, encontrei a TR4 branca! Eles pediram para eu encostar e perguntaram se eu ficaria na cidade no domingo ou iria embora! Eu disse que iria embora, mas na verdade gostaria de ficar mais um dia para fazer o mesmo passeio com calma, sem correria! Então, Eduardo, Setsuko e Regina me convidaram para passar o domingo com eles, onde iríamos na parte baixa da Cachoeira Casca D'anta, uma queda de 186 metros de altura, a coisa mais linda que já vi na vida! Topei, e adicionei mais um dia à diária da Pousada. Neste mesmo dia, eles me levaram conhecer a pousada onde estavam, que diga-se de passagem, deixava a Pousada Fazenda no chinelo, fica no pé da Serra da Canastra e na parte alta de São Roque, bem fora dos limites da cidade. Era um paraíso! Dona Gina Lemos, a proprietária, tão educada e solícita, nos fez um suco de mamão papaya divino! Fiquei lá até 23h conversando com eles e programando os passeios do dia seguinte e só fui embora de volta ao meu hotel porque o tempo estava fechando com muitos raios e trovões.

No domingão, passeamos por toda parte baixa, fomos ao Mirante, à Casca D'Anta, foi uma delícia! E pra completar, almoçamos em um restaurante caipira na beira da estrada, onde a comida mineira era preparada no fogão à lenha com vista para o Chapadão da Canastra! Não tinha coisa melhor! A cachoeira Casca D'Anta com 186 metros de altura, vista lá debaixo, no fim de sua queda é uma paisagem indescritível, terminando em um poço de 18 metros de profundidade estudados (pois os técnicos acham que é bem mais fundo!!!!). O paredão de pedras que a circunda em forma côncava é impossível de captar na fotografia e vale a pena a visita. A energia do local é divina, e a água da cachoeira batendo em nós com o vento é sensacional (melhor ainda no calor de 40 graus). Passamos o domingão rodando nas estradinhas de terra e conhecendo todo o relevo e paisagens da região. Eu estava deslumbrada. Era muito mais do que eu esperava ou imaginava e ir embora? Nem pensar! Queria ficar mais!

Cheguei no hotel tarde da noite e liguei pra minha mãe: "Mãe, vou ficar mais um dia, talvez volte somente na terça-feira". Não queria ir embora, embora minha estadia terminasse no domingo à noite. Paguei mais uma diária e chegou a manhã de segunda-feira. A cidade já estava mais calma, pois os 90 carros do encontro haviam ido embora no domingo. Só tinha um agravante: não tinha combustível no único posto da cidade! Então tive de esperar até as 10h a chegada no caminhão tanque para abastecer. Meus amigos, Eduardo, Setsuko e Regina me enviaram um zapzap perguntando o que eu faria neste dia, pois eles estavam indo embora pra Barretos/SP e iria cruzar toda a Serra da Canastra, sentido Sacramento, descer por Franca e partir. Minha idéia era ir novamente na Casca D'Anta, mas diante da oportunidade de conhecer a serra toda, não podia "perder o trem" e topei! Corri arrumar as malas e por tudo no carro, passei no posto, abasteci, comprei MUITO gelo (12kg) pois tinha 5 kg de queijo no frigobar e de Franca, eu partiria para Sampa, embora. Fechei a conta no Hotel (acho que me cobraram a mais, além de tudo), e aguardei meus amigos na frente do hotel. Logo eles chegaram e partimos para mais uma aventura.

O ideal de cruzar a Canastra de São Roque de Minas até Sacramento é em no mínimo 2 carros, já que o percurso tem muitas erosões feias, podendo ficar travado em algum buraco se estiver sozinho. Como choveu muito na noite anterior, havia muita água nos trechos e com isso fizemos a festa (FOTO). As paisagens são deslumbrantes e impossíveis de relatar aqui, só indo conferir a natureza pura a perder de vistas. São morros e mais morros, lindo demais! A quantidade de aves de beleza rara também agrada o visual do lugar. Com sorte, que não tivemos, é possível avistar tamanduá-bandeira, cervos e até lobo-guará. Essa ficará pra próxima!

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Fotografia: Eduardo Hanazaki


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