• Juliana Rocha

Serra da Canastra - Parte 2


Se vocês já leram a parte 1, vamos à parte 2, um mês depois da minha primeira viagem à Canastra.

Em meados de dezembro do ano passado (2015), um casal de amigos resolveu fazer uma expedição de 1 semana na Canastra e me convidaram. Mais que de pronto aceitei! Estava alucinada para voltar naquele lugar, algo me atraía para lá! Como sempre, ninguém quis dividir o carro (combustível, pedágio e hotel) comigo e lá fui eu sozinha novamente. Meu irmão se casou no mesmo dia em que a expedição começou, então do casório cai na estrada no fim da tarde e cheguei de noite em São Roque de Minas, mais precisamente a meia-noite. Desci do carro de vestido de gala e descalça, porque dirigir de salto, 600km, ninguém merece né?! Desta vez, quem reservou o hotel foram meus amigos, uma das melhores pousadas da cidade, a Pousada Barcelos que tem até piscina. Assim que desci do carro, uma cachorra da raça labrador veio me receber toda feliz e contente, Cacau o seu nome. Juro pra vocês que levei tanta coisa que tive de fazer CINCO viagens de tralhas do carro pro quarto.... E detalhe: o quarto era o último do corredor (hunf), mas tudo bem. Jantei um macarrão instantaneo e poft, capotei na cama. No dia seguinte, nos encontramos no café-da-manhã as 08h e partimos Canastra!

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O primeiro dia subimos a Serra, paramos no Velho Chico e de lá seguimos para a parte alta da Casca D'Anta. Tomamos banho no rio São Francisco, fizemos pic-nic e voltamos no meio de uma tempestade, onde a estrada virou um rio, então tínhamos de andar a menos de 10km/h pois com a água correndo, a estrada de terra vira erosão pura. Para tentar escapar da chuva, seguimos para Garagem de Pedra e Cachoeira do Rolinho, mas não tivemos sorte pois caía o mundo no Rolinho. Ficará para a próxima. No fim da tarde, voltamos andando devagar, procurando algum animal como o Tamanduá que costuma sair no fim da tarde. Infelizmente não vimos nada. Paramos no Curral de Pedras, subimos as pedras e ficamos admirando o pôr-do-sol, linda vista ali de cima. Porém, os mosquitos deram o ar da graça. A parte boa é que era época do horário de verão, então, eram 19h, com sol e ainda estávamos dentro do parque passeando!! Nos outros dias, exploramos a parte baixa da Casca D'anta e mais uma vez pude encher os olhos d'água com a emoção de vislumbrar a queda da Casca D'anta diante de mim. (FOTO).

De lá, descobrimos um rio azul esverdeado que fica dentro de uma propriedade, próximo de uma mineradora de diamantes, aos pés da Casca D'anta. Passamos a tarde lá com direito a pic-nic de almoço. O rio realmente é azul-esverdeado, parecendo os rios de Bonito/MS. A parte mais funda bate no pescoço, mas a maioria do rio a água não passa da canela. Está lotado de lambaris de todos os tamanhos e eles ficam beliscando nossas pernas! Saindo de lá, alguns km para frente, paramos na Pousada Velho Chico, uma pousada dentro de uma singela fazenda, para comprar queijo canastra. O melhor de todos que já experimentei de lá. Neste mês de dezembro, a peça (1kg) custava R$ 35,00. Em novembro, noutra fazenda, paguei R$ 22,00/kg.

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Também exploramos a cachoeira do Cerradão (não fomos visitá-la, apenas conversamos com o proprietário do local e fizemos pic-nic no estacionamento) e cachoeira Antônio Ricardo. Esta última, localizada também dentro de uma fazenda, tinha 2km MORRO ACIMA. Sob um sol escaldante de verão, as 11h da manhã, resolvemos encarar... Porém, eu não aguentei e a pressão foi láaaaaaaa pra baixo. Toda sombrinha, por maior ou menor que fosse eu caia sentada no chão, branca, mole, tomava litros dágua, passando realmente mal. Acho que andamos 1km.. e ainda tinha muito chão, muita pedra e muita subida para chegar aos pés da cachoeira. Tivemos de desistir e voltar por minha culpa, eu não aguentava. As costas doíam, os joelhos doíam, não tinha força nem resistência, aff. Voltamos e o irmão do Antônio Ricardo, nos ofereceu um café. Sua casinha, bem simples, feita de barro nas paredes e palha no telhado, não tinha nem luz nem água encanada. A luz era de lampião, a cama um catre e o fogão à lenha, bem daqueles antigos. O banheiro é na parte de fora da casa. Ele nos ofereceu um café do fogão à lenha e queijo canastra curado. Uma delícia! Ficou contando sobre sua vida e passamos parte da tarde ali (FOTOS). De lá, voltamos pra pousada e passamos o resto da tarde na piscina, nos refrescando e descansando, prontos para encarar a próxima aventura do dia seguinte.

Fotografia: Juliana Rocha

Fotografia: Juliana Rocha

No dia seguinte, subimos novamente a Serra, e rodamos sentido Sacramento. Não atravessamos a Serra, mas entramos em uma estrada que estava interditada. Como bons "invasores" como o grupo Os Invasores 4x4 Brasil, invadimos a estrada interditada que levava à Cachoeira do Fundão. Eu havia mencionado esta cachoeira e estávamos indo para ela! OBA!!!! Metade do trecho para a cachoeira estava normal, mas a metade restante estava bem precária e realmente não é todo 4x4 que passaria ali. Subidas com curvas fechadas e barrancos dos lados, descidas íngremes e escorregadias ocasionaram muita emoção, 4x4 e reduzido para nós três. Ps. O meu ar-condicionado estava com defeito e por isso fiquei sem ar-condicionado a expedição todinha. Como eu era o segundo carro, sem ar, com vidros abertos, TODA poeira possível e imaginária entrou dentro e até hoje tenho resquício de pó da Canastra no meu jipe heehehehe.Enfim chegamos na fazenda desapropriada onde fica a Cachoeira do Fundão. Atravessamos um pequeno riacho e estacionamos os jipes entre as mudas de reflorestamento. E bora andar! De novo! Andamos pelo menos 1km (ainda bem que era plano) e depois subimos algumas rochas para chegar aos poços da cachoeira. Na queda não chegamos, pois a dor na coluna estava judiando de mim e de minha amiga e era um morro com rochas, resolvemos não encarar e ficamos nos refrescando nos poços de águas azuis. Saindo de lá, fora do Parque da Serra da Canastra, paramos no complexo de Cachoeiras Capão Forro. Lá tem 3 cachoeiras num vale com muitas pedras (e aranhas), a cachoeira Capão Forro (a mais bonita de todas e de difícil acesso pelas pedras), a cachoeira do Lobo e a cachoeira da Mata. Nadei no poço com água cor de coca-cola da cachoeira Capão Forro e a energia ali é muito intensa. Para quem acredita, há muitos relatos de avistamento de OVNIS naquela região, mais propriamente naquela cachoeira e nos paredões de pedras que a circundam. Saímos de lá umas 18h pois começou a chover e toda a água da serra cai neste vale, tornando perigoso ficar lá embaixo.

No último dia de Canastra, seguimos para Capitólio, cidade seguinte à São Roque de Minas, para passearmos de lancha no lago de Furnas com suas águas verdes transparente, conhecermos a cachoeira Lagoa Azul (mesmo lugar do passeio de lancha) e outra cachoeira que não me recordo o nome, mas que é também linda e o acesso somente veículos 4x4 como jipes pois tem muitasssss pedras que judiariam de outros carros. Nesta cachoeira, temos que atravessar dois rios rasos. Aproveitei para subir no teto do carro e tirar uma foto!

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Mais fotos em GALERIA - ESPECIAL SERRA DA CANASTRA E EXPEDIÇÕES 2015


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