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Expedição Estrada Real - Parte I (Paraty)



Um pouco de história & conhecimento:

'' O nome declara suas raízes:

O Caminho Velho é o trecho mais antigo da Estrada Real, que remonta ao percurso feito pelos Bandeirantes para transportar riquezas nos idos do Século XVII. Hoje o trajeto que liga Paraty, no Rio de Janeiro, à histórica cidade mineira de Ouro Preto foi redescoberto por viajantes em busca de tesouros guardados em todo o roteiro.

Na abertura da rota, a encantadora Paraty, patrimônio histórico nacional desde 1996, conserva a arquitetura do Século XVIII nas ruas de paralelepípedos, o Centro Histórico. A viagem pelo tempo soma-se à efervescente vida cultura e a bela paisagem da cidade, a qual fazem parte, além das praias, trilhas no pé da serra e cachoeiras. Esta vista deslumbrante pode ser admirada de Cunha, no norte de São Paulo, repleta de hotéis-fazenda e lavandários.

Ao alcançar Minas Gerais, o Caminho Velho segue por outras também belas cidades como Passa Quatro, Caxambu e São Lourenço, que guardam um complexo hidromineral, também conhecido como Circuito das Águas Medicinais. A região montanhosa da serra da Mantiqueira, pode ser admirada através de parques nacionais e estaduais com acesso pelas cidades de Itamonte, Aiuruoca e Alagoa de Minas.

Todos os caminhos que fazem parte da Estrada Real (ER) levam à Ouro Preto. Localizada há 95 km de BH, Ouro Preto foi o cenário dos primeiros movimentos de Independência do Brasil. Entre os pontos turísticos, estão a Igreja de São Francisco de Assis e o Museu da Inconfidência Mineira."


Respire fundo e boa viagem!



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O Passaporte E O Primeiro Carimbo da ER

Em 27 de junho de 2016, estávamos hospedados em Ubatuba, litoral norte de São Paulo e resolvemos ir conhecer a cidade histórica de Paraty, que faz parte do Caminho Velho e fica apenas há 100 km de onde estávamos. Lá, nos deparamos com o Instituto Estrada Real e logo tratamos de emitir nosso passaporte. Esse passaporte contém o mapa dos quatro caminhos da ER, algumas dicas, o número de carimbos necessários para conseguir o Certificado de cada caminho percorrido assim como muitas folhas para receber os carimbos das cidades por onde passamos.

Nosso primeiro carimbo foi na cidade de Paraty/RJ.


Fotos de Paraty:














PARATY - RJ & O CAMINHO DO OURO


A Estrada construída pelos escravos entre os séculos XVII e XIX, a partir de trilhas dos índios guaianazes, a Estrada Real, Caminho do Ouro em Paraty, está bastante preservado e se encontra envolto pela exuberância da Mata Atlântica do Parque Nacional da Serra da Bocaina.


Ponto de passagem obrigatório, nos séculos XVII e XVIII, o caminho ligava Minas Gerais a Rio de Janeiro e São Paulo. No chamado "Ciclo do Ouro", Paraty exercia a função de Entreposto Comercial e também por sua posição geográfica, porto escoadouro da produção de ouro de Minas para Portugal. Foi uma das mais importantes cidades portuárias do século XVIII. Por todo o trajeto da Estrada Real foram colocados marcos sinalizadores.


Visitar o Caminho do Ouro permite conhecer, não só uma importante obra de engenharia, mas também uma ecologia deslumbrante e o povo paratiense com sua cultura, seu passado e seu presente. Cachoeiras, ateliers, alambiques, comidinha caseira e muito mais. Mas a visitação só é permitida com guias autorizados, pois o Caminho hoje passa por propriedades particulares.


Fotos do Caminho do Ouro disponíveis em:

- http://www.paraty.com.br/caminho.asp assim como o agendamento para uma visita

-http://circuitocaminhodoouro.com.br/ com tudo para programar sua viagem.

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CRONOLOGIA DO CAMINHO DO OURO:

Material gentilmente cedido pelo Sitio Histórico e Ecológico do Caminho do Ouro e disponível no site http://www.paraty.com.br/caminho_do_ouro.asp

* * Outros Nomes:

Trilha Guaianá / Estrada da Serra do Facão / Estrada Geral da Serra do Mar / Caminho Velho / Caminho da Serra.

* * Antes dos Portugueses

Trilha usada pela nação dos Guaianás ou Guaiamirins para ligar a aldeia de cima (no Vale do Rio Paraíba) à aldeia de baixo (Paraty) conhecida por suas praias de efeitos medicinais.

* * 1597 => Martim Correia de Sá, filho do governador Salvador de Sá, desembarca na praia hoje conhecida como Praia de Martim de Sá, em Paraty e parte pela velha trilha em expedição de exploração e captura de escravos indígenas com 700 portugueses e 2000 índios.

* * 1660 => O Governador Geral Salvador Correia de Sá e Bonavide mandou abrir a estrada em ordem de 21 de agosto.

* * 1695/1700 => Portugueses descobrem que as minas do Ribeirão de Ouro Preto, do Ribeirão das Mortes e do Rio das Velhas são abundantes e começa a corrida do ouro.

* * 1701 => Representação feita pelo Conselho Ultramarino ao rei de Portugal aconselha a restringir "os caminhos que levam às Minas" porque "quantos mais forem os caminhos mais descaminhos haverá" e também porque "sendo por alguma nação invadidas as Minas serão necessários socorros de muitas partes".

* * 1702 => O Governador do Rio de Janeiro, Capitão General Artur Sá de Meneses baixa em 17 de abril o Regimento das Minas que determinava que apenas o gado poderia ser levado até as Minas pelo caminho do sertão (pela Bahia) e que todas as demais mercadorias (inclusive o ouro) teriam que entrar pelo Rio de Janeiro "tomando daí o rumo de Paraty". Esta determinação aumenta imensamente o trânsito pelo Caminho do Ouro fazendo com que o porto de Paraty se transforme em um dos mais importantes da colônia.

* * 1703 => Carta Régia de 9 de maio manda que se instale em Paraty, no alto da Serra do Facão, uma Casa do Registro do Ouro ou Casa de Quintar para controlar o fluxo do ouro da minas para o Rio de Janeiro e de pessoas e mercadorias no sentido oposto.

* * 1704 => Nova Carta Régia de 7 de fevereiro extingue todas as outras Casas do Registro a exceção das de Santos e de Paraty.

* * 1710/1711 => Iniciada a abertura de outro caminho seguindo direto por terra do Rio de Janeiro para as Minas passando pela Serra dos Orgãos e dividindo o tempo da viagem pela metade. Portugal proíbe o uso da estrada de Paraty para o transporte do ouro.

* * 1715 => O povo de Paraty pede em requerimento para o Rei de Portugal que a estrada seja novamente liberada e é atendido.

* * 1726 => Governador Luiz Bahia Monteiro determina por um Regimento do Registro da Estrada da Serra que seja cobrado seiscentos e quarenta reis de pedágio por tropa que transporte escravos e/ou mercadoria.

* * 1728 => Instruções do Governador de São Paulo ao Tenente de Mestre de Campo General Manuel Borges de Figueiredo para que verifique se o Registro da Serra está na jurisdição daquela capitania e se está cobrando corretamente o pedágio de duas patacas e quatro vinténs por pessoa e quatro por cavalo.

* * 1756 => Paratienses tentam, com sua influência, impedir os trabalhos de abertura da estrada nova que parte direto do Rio de Janeiro para as Minas e são repreendidos pelo Rei D. José, de Portugal.

* * 1767 => Terminam as obras principais da estrada da Serra dos Orgãos que fica chamando Caminho Novo e a estrada de Paraty passa a se chamar Caminho Velho. O Caminho da Serra do Facão não é ainda abandonado, mas seu movimento começa a cair.

* * 1799 => Com a queda do tráfico do ouro, Paraty se volta para a produção de aguardente (a famosa cachaça que passou a ser conhecida pelo nome da cidade) que é altamente utilizado na troca por escravos africanos e o Caminho do Ouro passa a ser utilizado cada vez mais para o tráfico ilegal de escravos, para escoar a produção do Vale do Paraíba e para levar para o Vale o luxo trazido da Europa para os Barões do Café.

* * 1850 => Imperador do Brasil, D. Pedro II, aprova uma lei proibindo o tráfico de escravos, mas o fim do contrabando de escravos não afeta profundamente o comércio que segue próspero em Paraty graças ao café e outros produtos que iam e vinham principalmente de Guaratinguetá.

* * 1864 => A Estrada de Ferro D. Pedro II atinge o Vale do Paraíba na cidade de Barra do Pirai. Todo o Vale começa a escoar por ai os seus produtos. A decadência de Paraty e do velho Caminho do Ouro se acelera.

* * 1877 => A estrada de Ferro chega a Guaratinguetá que passa a fazer seus transportes comerciais através da ferrovia. Paraty e o Caminho entram num irreversível processo de estagnação.

* * 1888 => A Princesa Isabel promulga a Lei Áurea abolindo totalmente a escravatura no Brasil causando prejuízos à industria canavieira paratiense e determinando a total paralisação dos trabalhos de conservação do Caminho, sempre feita por escravos. Mas de qualquer forma, a economia da cidade já havia entrado em colapso anteriormente e o movimento comercial na velha trilha guaianá já estava completamente abandonado.

* * 1925 => Uma nova estrada para automóveis é aberta aproveitando Trechos do antigo Caminho, mas fazendo um atalho que parte do Bairro dos Penhas (onde está a capela de N. S. da Penha), a 8 km de Paraty, até encontrar-se novamente com o Caminho do Ouro na localidade de Estiva Preta, hoje conhecida como Fecha Nunca. Por esta estrada veio em 1929, o primeiro automóvel a chegar na cidade, que desceu mas não conseguiu subir de volta, ficando em Paraty. Graças a este atalho que ficou abandonado mas também bastante intacto, o trecho do Caminho do Ouro que passa pela localidade do Souza e que inclui as ruínas da famosa Casa do Registro ou Casa dos Quintos, sobreviveu. Este é o trecho em que hoje se encontra o Sitio Histórico e Ecológico do Caminho do Ouro.

* * 1930 =>Tanques e outros veículos militares da Revolução de Trinta, indo a caminho de São Paulo, destroem a estrada que fica outra vez intransitável.

* * 1954 => A Estrada é reaberta graças ao esforço de alguns paulistas que já principiam a tentar chegar na cidade de Paraty por interesse turístico.

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PARATY-RJ:


Significado: Na etimologia tupi antiga "parati'y" quer dizer "rio do paratis". Pela junção de Parati e 'y, parati é tanto uma espécie de peixe da família dos mugilídeos quanto uma variedade de mandioca.(Fonte: Tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro)


A Colonização Indígena

Anteriormente ao Descobrimento do Brasil pelos europeus, a região da atual Paraty era habitada por indígenas guaianás. Por volta do ano 1000, estes foram expulsos para o interior do continente devido à chegada dos tupis procedentes da Amazônia.


Início do Povoamento Europeu

No século XVI, quando os primeiros europeus chegaram à região de Paraty, esta era habitada pela tribo tupi dos Tamoios. Nos primeiros anos do século XVI, os portugueses já conheciam a trilha aberta pelos Guaianás (chamada de Trilha dos Goianás) que liga as praias de Paraty ao Vale do Paraíba.


A primeira notícia que se tem do povoado é a da passagem da expedição de Martim Correia de Sá em 1597. Á época, a região encontrava-se compreendida na Capitania de São Vicente-SP. O núcleo de povoamento europeu iniciou-se no morro situado à margem do rio Perequê-Açu. A primeira construção de que se tem notícia e uma capela , sob a invocação de São Roque, padroeiro da povoação na encosta do morro. O aldeamento dos Guaianás localizava-se à beira do mar.


A Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios

A partir de 1664, varias comunidades e registraram entre os moradores, visando tornar a povoação independente da vizinha Angra dos Reis, o que veio ocorrer em 1670 quando o ato de comunidade foi reconhecido por Afonso V de Portugal em Carta Régia de 28 de fevereiro de 1677 dando-lhe o nome de "Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty".


O Ciclo do Ouro e a Estrada Real

Em 1702, o governador da capitania do Rio de Janeiro determinou que as mercadorias somente poderiam ingressar na Colônia pela cidade do Rio de Janeiro e daó tomar o rumo de Paraty, de onde seguiriam para as Minas Gerais pela antiga trilha indígena, agora pavimentada com pedras irregulares, que passou a ser conhecida por CAMINHO DO OURO.


A proibição do transporte de ouro pela estrada de Paraty a partir de 1710 fez o seus habitantes se rebelarem. Este fato, junto com a abertura do CAMINHO NOVO da Estrada Real ligando diretamente o Rio de Janeiro à Minas Gerais, tiveram como consequência a diminuição do movimento na vila de Paraty.



Alambiques e o Ciclo do Café

A partir do Século XVII, registra-se o incremento no cultivo de cana-de-açúcar e a produção de aguardente. No século XVIII, o número de engenhos ascendia a 250, registrando-se em 1820, 150 destilarias em atividade. A produção era tão elevada, que a expressão Parati passou a ser sinônimo de cachaça, produção artesanal que perdura até hoje.


No Século XIX, para burlar a proibição ao tráfico de escravos decretada pelo regente padre Diogo Antonio Feijó, o desembarque de africanos passa a ser feito em Paraty. As rotas, por onde antes circulava o ouro, passam então a ser usadas para o tráfico e para o escoamento da produção cafeeira do Vale do Paraíba, que então se iniciava no mesmo período.


O Ciclo do Turismo e a Estrada Paraty - Cunha

A cidade e o seu patrimônio foram redescobertos em 1964, com a reabertura da estrada que ligava ao estado de São Paulo - a Paraty - Cunha -, vindo a constituir-se em um polo de atração turística. Deste modo, em 1958, o conjunto histórico de Paraty foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Atualmente a cidade é o segundo polo turístico do estado do RJ e o 17ª do país. E em 2019, a cidade colonial foi declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, por sua mistura única de riquezas históricas e naturais, que possui uma área de 149 mil hectares, incluindo o centro histórico de colônias de Paraty e quatro reservas naturais ao redor, incluindo a sErra da Bocaina e a Ilha Grande, por possuir quilombolas (descendentes de negros escravizados), indígenas e comunidades costeiras de pescadores e artesãos.


Tesouro Histórico de Paraty e Patrimônio Edificado - Não deixe de visitar!

- 85% de Mata Atlântica é preservada na área com 36 espécies de plantas raras e 29 endêmicas ( que so existem na região);

- um trecho da Estrada do Ouro, construida por escravos entre os seculos XVII e XIX, por onde transportavam metais preciosos extraídos no interior de MG até o porto de Paraty, destinados à Portugal;

- Antigas fazendas, fortificações, adegas de cachaça, sítios arqueológicos também fazem parte do Circuito Histórico.

- Chafariz do Pedreira = na entrada da cidade, em mármore, iniciado em 1851 e inaugurado 2 anos depois.

- Rua do Fogo = uma das poucas ruas da cidade que conserva o seu primitivo nome. Comunica em um dos vertices do Largo de Santa Rita à Rua Maria Jácome de Melo.

- Rua Dona Geralda = Geralda Maria da Silva nasceu em Parati em 1807. Herdou do pai grande fortuna, que a lenda local associa à descoberta de um tesouro de piratas.

-Igrejas = Matriz de Nossa Senhora os Remédios / Santa Rita de Cássia / Nossa Senhora do Rosário e São Benedito / Nossa Senhora das Dores / Praça do Imperador

- Aldeias Guaranis de Araponga e Paratimirim = visitação necessita de autorização da Fundação Nacional do Índio.



AS RUAS DE PARATY

O Centro Histórico de Paraty remonta aos idos de 1820, quando suas ruas já possuiam seu calçamento "pé de moleque". A presença das águas, com a invasão das marés na lua cheia, a cultura do café e da cana, o porto e seus piratas, a maçonaria determinaram o traçado do Centro Histórico de Paraty.

As ruas foram todas traçadas do nascente para o poente e do norte para o sul. Todas as construções das moradias eram regulamentadas por lei, podendo pagar com multa ou prisão, quem desobedecesse as determinações.


Sua ruas, protegidas por correntes que impedem a passagem dos carros, preservam ainda o encanto colonial, aliado a um variado comércio e a expressões culturais e artísticas muito intensas. Os carros apenas podem circular pelas ruas que fazem limite com o Centro: Patitiba, Domingos G. de Abreu, Aurora e Rua Fresca. A maioria das ruas do Centro Histórico tem 2 nomes, fruto de decretos municipais conflitantes com o costume já instalado.


A maçonaria deixou sua forte marca nas fachadas dos sobrados com desenhos geométricos, em relevo.



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Nossa viagem à Paraty finda-se aqui, e em 2019, continuei minha Expedição pela ER!


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04 de JUNHO DE 2019

Após dois anos de muito planejamento, aqui estou eu novamente continuando a percorrer o Caminho Velho. Confiram nossa aventura pela E.R. e curtam esta viagem no tempo!

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