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Caminho do Sal - Um Pouco de História

Atualizado: 21 de Abr de 2020


No século 17, o Caminho do Sal era uma rota idealizada e traçada pela população indígena que vivia no local com o intuito de ajudar os tropeiros a avançarem para o interior do Brasil por caminhos mais rápidos e seguros para transpor a Serra do Mar. Com isso, pequenas vilas começaram a surgir, fundadas por colonos portugueses.

Mapa de 1900, mostra o traçado interligando o Caminho do Zanzalá aos Caminhos dos Carvoeiros e o Bento Ponteiro, três trechos q formam o Caminho do Sal




Hoje o Caminho do Sal ainda persiste às constantes mudanças da paisagem da regão e com mais de 300 anos, é uma rota turística que conecta São Bernardo do Campo, Santo André e Mogi das Cruzes, municípios do Estado de São Paulo, atraindo muitas pessoas à pé, à cavalo, de bike e até de jipe.

São cerca de 50 km de muita aventura e belas paisagens em meio à Mata Atlântica, atravessando o Parque Estadual da Serra do Mar. Situado na Região Metropolitana de São Paulo em área de remanescentes do Bioma Mata Atlântica, de grande variabilidade territorial, topográfica e climática, o turista estará por vezes ao lado do Parque Estadual da Serra do Mar, da Reserva Biológica Alto da Serra de Paranapiacaba, do Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba ou da Reserva Particular do Patrimônio Nacional Parque das Neblinas. Parte do Caminho do Sal também está na Área de Proteção e Recuperação dos Mananciais do Reservatório Billings, o que indica a importância da região no contexto de produção e conservação das águas do reservatório, inclusive no Município de SP.

Próximo ao Trópico de Capricórnio, a rota está numa realidade climática de transição, no Planalto Paulista em que ocorrem tanto o clima tropical de altitude como aquele subtropical, permanentemente úmido, do sul do país. Assim também se explica as variações de umidade com episódios de fortes chuvas, neblinas e períodos secos.

Placas que encontramos ao longo do percurso no Caminho do Sal.



Como chegar no Caminho do Sal?

Assim que chegamos à Placa Parque Estadual da SERRA DO MAR, no km 38 da Rodovia Caminho do Mar (Estrada Velha de Santos) a aventura começa.

É só percorrer mais um quilômetro e entrar à esquerda na estrada de terra, conhecida como Estrada Municipal de Mogi das Cruzes. Ali, passamos pelo Sangradouro do Perequê (sua construção tem mais de meio século), uma pequena barragem de controle da represa Billings que começou a ser construída em 1925. O Rio Perequê é afluente do Rio Cubatão e corre em direção ao litoral pelas encostas da Serra do Mar. Porém, algumas das nascentes do Rio Perequê foram submersas com o alagamento da Represa Billings em 1927 para gerar energia elétrica para as indústrias de Cubatão por meio da Usina Henry Borden. O projeto é tão complexo que foi necessário escavar um túnel na Serra do Mar para movimentar as turbinas da usina. Desde 1958, é utilizada para abastecimento de água e desde 1970 é protegida pelas leis de mananciais.

Sangradouro do Perequê

Ao longo do caminho, misturado à paisagem, e pintadas em postes ou em pedras nas áreas menos urbanizadas, estão as setas em amarelo sobre um fundo preto, acompanhadas pelas letras "CS", indicando as direções a serem seguidas por aqueles que querem completar o Caminho do Sal.

Marco no poste, pintado em preto com letras e seta amarelos indicando a direção do C.do Sal.



A rota é dividida em três partes: Caminho do Zanzalá (16 km), Caminho dos Carvoeiros (10 km) e Caminho do Bento Ponteiro (27,5 km), sendo uma das rotas mais antigas do Brasil. Em resumo, estes trechos resgatam a história dos primeiros caminhos do Planalto Paulista originados no período da colonização pela Coroa Portuguesa, ainda no século XVII (17). Por ali, tropeiros transportavam sal do Porto de Santos até a região que hoje corresponde à cidade de Mogi das Cruzes.

CAMINHO DO ZANZALÁ

O traçado se inicia em São Bernardo do Campo, mais precisamente no km 39,5 da Estrada Velha de Santos e termina quando chega-se a Estrada Velha de Paranapiacaba. Os primeiros registros são ainda de 1640, quando tropeiros abriram caminho para o transporte de sal do Porto de Santos até Mogi das Cruzes no alto da serra e nomearam de Caminho do Zanzalá. O período é marcado pelo crescimento da Vila de São Paulo e consequentemente, da demanda pelo abastecimento de sal, produto estratégico para a sobrevivência dos povoamentos.

À época, o sal era monopolizado pelo governo português, que desembarcava o produto nos portos de Santos e São Vicente. Seu transporte até o planalto era realizado através do Caminho do Padre José Anchieta, que atravessa a Serra do Mar e se estende em direção ao interior do estado e dali, seguia pelo Caminho de Zanzalá.

Com chão de terra, o traçado revela lindas paisagens, assim como alguns pequenos riachos que o cortam durante todo o trajeto. É possível também observar animais típicos da região e parte da flora da Mata Atlântica que ainda resistem. Quando passamos pela região, já avistamos mamíferos como irara (espécie de furão) e capivara, e aves como gaviões, saracuras e jacus e jacutingas.

OLEODUTO E GASODUTO NO CAMINHO DO SAL

Este trecho é margeado por tubulações do Oleoduto da Serra, e tirando a parte que foi inundada devido à criação da Represa Billings em 1922, permanece quase inalterado. Porém, atualmente em 2018, com novas obras feitas pela Petrobrás, estão enterrando novos ductos de oleoduto e cometendo um crime ambiental de proporções imensas, desmatando grande parte da Mata Atlântica.

O Oleoduto da serra foi o primeiro do Gênero no Brasil, e atualmente é administrado pela Petrobrás. A Estrada de Ferro Santos-Jundiái, antiga São Paulo Railway, entre 1948 e 1949, arcou com os custos do oleoduto, que possui ramais para óleos claros e escuros entre o litoral e o planalto. A ferrovia não era capaz de transportar o volume necessário para atender as demandas e então, em 1951, entrou em funcionamento o transporte de gasolina, diesel e querosene entre Santos e São Paulo, por meio dos dutos. Em 1952, ficou pronta a segunda linha, destinada ao óleo combustível e petróleo. Os dutos foram fabricados nos Estados Unidos e alguns diâmetros de tubos fornecidos pela Alemanha e França. Na rota do Sal também serão avistadas diversas placas referentes ao GASAN e GASAN II - Gasoduto Santos-SP, por onde é transportado gás natural entre as Refinarias de Cubatão e Capuava, em operação desde 1993. Os dutos estão enterrados a pelo menos um metro abaixo da superfície para reduzir o risco de acidentes. Ao percorrer o Caminho do Sal, as faixas dos oleodutos e gasoduto poderão ser avistadas diversas vezes.

Mas, voltando ao assunto, por três séculos, o Zanzalá foi a principal rota de ligação entre os atuais municípios de São Bernardo do Campo e Mogi das Cruzes. Porém, uma das histórias mais interessantes sobre este trecho é a de que o próprio Rei de Portugal, Dom João V, decretou em 13 de maio de 1722, para que se interditasse o Caminho de Zanzalá, pois a rota estava sendo utilizada para desviar ouro e pedras preciosas que pertenciam à Coroa Portuguesa, oriundas das minas de Cuiabá no Mato Grosso, uma vez que os tropeiros desviavam por ali para escapar dos altos impostos cobrados pela Coroa. Este foi um dos motivos que quase levou estre trecho ao esquecimento.

Caminho cascalhado em meio à Mata Atlântica.

Um dos lagos para banho que encontramos pelo Caminho do Zanzalá

Em período de chuvas, somente 4x4 trafega no local.




O Caminho do Zanzalá termina no asfalto, na Estrada Velha de Paranapiacaba.

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